D/Z – Dossiê Zelite

Informação teórica sobre a riqueza + Etnografia dos ricos

Luxo em alta no Brasil

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Do G1, numa matéria de Laura Naime:

Mercado de luxo supera média do varejo e prevê crescimento de 8% em 2009

Especialistas dizem que marcas famosas ganham com ‘apelo emocional’.

Crise mais branda colabora para desempenho acima da média no Brasil.

“Temos que parar de exagerar com a crise. Quem tinha três bilhões, perdeu um, mas ficou com dois. Não é nenhuma miséria”. A frase é do estilista da Chanel, Karl Lagerfeld, mas se aplica ao atual momento do mercado de luxo brasileiro em meio à crise mundial – a situação não está tão boa quanto no passado, mas o mercado vai bem, obrigado.

Para especialistas, operações policiais não afetam mercado de luxo como um todo

Enquanto o varejo brasileiro ainda tenta se recuperar das perdas registradas no final do ano passado, o mercado de luxo no país espera crescer 8% este ano, segundo levantamento feito pelo instituto de pesquisa GfK para a consultoria MCF.

“Não é tão positivo assim, a gente precisa ser realista. Mas existe a questão de que o luxo são marcas muito impregnadas de símbolos, de desejos, que acaba sendo uma vantagem competitiva a mais”, diz Carlos Ferreirinha, presidente da MCF.

Na rede de joalherias Tiffany no Brasil, a crise mal passou pela porta. Sem falar em números, a gerente-geral da rede no país, Patricia Assui, afirma diz que o crescimento das vendas chegou a surpreender: “Está maior do que o do ano passado, está em dois dígitos. Quando fomos fazer o planejamento para este ano, achamos que ia crescer, mas não tanto. Obviamente não vou dizer que está no ritmo acelerado que estava há um ano, mas superou nossas expectativas”, comemora.

Já no exterior, onde a marca tem suas bases mais tradicionais, o resultado é bem menos empolgante. “O epicentro da crise foi Nova York, o impacto no nosso negócio foi tremendo lá”, diz Patricia.

“De fato no Brasil (o mercado de luxo) está indo muito bem, não foi tão prejudicado como no exterior. A reação brasileira de forma geral foi bem melhor – continua crescendo, mas realmente o crescimento é um pouco menor”, constata a professora Suzane Strehlau, do Centro Universitário FEI.

Perfil do consumidor

O que explica essa diferença entre os mercados – além, é claro, do fato da crise estar sendo menos intensa por aqui – é o perfil do consumidor de luxo brasileiro, segundo Ismael Rocha, professor de marketing de luxo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Rocha explica que, no Brasil, a grande massa consumidora do luxo e que está movimentando este comércio, são os que começaram a fazer parte desse segmento há pouco tempo. “São os que estão entrando para o mercado de luxo, onde a grife, a marca, funciona como uma senha de entrada. Para as pessoas desse grupo, perder aquilo que já conquistaram é um impacto muito negativo”, diz.

Já entre europeus e americanos, o consumo de luxo faz parte do que o professor chama de “processo histórico”. “Ele compra porque faz parte da cultura de consumo dele. Então ele trocou dois Rolex por ano por um Rolex por ano, foi um impacto maior.” Ou seja, sem deixar esse mercado, seu consumo pode ter caído à metade.

Fator emocional

Segundo os especialistas ouvidos pelo G1, o fator emocional também contribui para que as vendas do setor de luxo se mantenham em alta durante um período de crise. “Existe muito uma questão de indulgência. As pessoas se controlam em muitas compras, muitos itens, e acaba sacrificando a parte emocional. E elas pessoas se dão presentes que podem se materializar em um produto de uma marca de luxo”, diz Suzane.

“Acho que, numa hora de crise, se você for gastar dinheiro, quer gastar numa coisa sólida, de qualidade, com bom reconhecimento, e que é atemporal”, diz Patricia, da Tiffany. “A gente nunca sai de moda, não vai ser considerado um gasto fútil, o que faz com que as pessoas não necessariamente deixem de comprar”, afirma.

É exatamente esse “fator emocional” que, segundo os especialistas, “descreve” o que é o luxo. “Não há uma definição do que é luxo, não é uma indústria regulamentada. O que se trabalha são produtos e serviços que alcançam patamares altos, produtos que são consumidos por tomada de decisão emocional, que evocam sensações de poder, de status”, explica Ferreirinha.

“O luxo tem algumas características que são muito tênues, mas marcantes: ele é para poucos, são produtos direcionados para um grupo restrito de pessoas. Ele, em função dessas características, se torna objeto do desejo. E ele só é objeto do desejo porque é reconhecido pela comunidade”, diz Ismael Rocha.

“Existem poucas maneiras que as pessoas demonstram a sua condição social: ser descendente da rainha da Inglaterra, ter um grande cargo, ou através do consumo”, diz a professora Suzane Strehlau.

Rocha explica, no entanto, que a classificação do que é luxo pode mesmo variar dentro dos diferentes grupos: para um grupo de pessoas de menor poder aquisitivo, uma mala de viagem de uma determinada operadora de turismo pode ser esse símbolo do luxo, diz. “O produto passa a ter um valor porque é reconhecido pelas pessoas que estão em volta”, aponta.

Foco no Brasil

Os melhores resultados do setor do luxo no Brasil devem aumentar a presença das grifes estrangeiras no país. “A gente está tendo um olhar maior dessas empresas estrangeiras sobre o mercado brasileiro”, diz Paulo Carramenha, presidente da GfK.

A professora Suzane também aposta nessa tendência: “Essas empresas tendem a se voltar um pouco mais para o mercado brasileiro e para o mercado do oriente. Aqui é um paraíso.”

A própria Tiffany tem planos de expansão por aqui. “A gente enxerga o Brasil com muito otimismo. A gente está começando no país, dá para expandir bastante”, diz a gerente da rede.

Written by Raul Marinho

16/08/2009 at 20:03

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Opções de transporte para a Zelite

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Embora o avião e o helicóptero sejam os meios de transporte clássicos para a zelite, às vezes é preciso recorrer a outros meios, como carros e bicicletas. Para estas situações, o G1 de hoje apresenta duas opções: o novo modelo blindado da BMW e uma bicicleta banhada a ouro.

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Written by Raul Marinho

12/08/2009 at 11:39

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TWR – Quem doa mais para a caridade: homens ou mulheres?

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Atenção ongueiros e demais envolvidos em trabalhos sociais: foco nas mulheres! Pelo menos é o que diz as pesquisas apresentadas neste post do The Wealth Report, abaixo traduzido.

É amplamente entendido que as mulheres são mais caridosas que os homens.

Uma nova pesquisa coloca números nisso: as mulheres da zelite doam aproximadamente o dobro do que seus correspondentes masculinos.

Em uma pesquisa divulgada nesta semana, o Relatório Ledbury para o Barclay’s Wealth, verificou-se que as mulheres dos EUA doam 3,5% de seus patrimônios, em média. A pesquisa realizada com as 500 pessoas detentoras de ativos financeiros superiores a US$1milhão encontrou uma média de doações de 1,8% para os homens.

E isto não é um fenômeno exclusivo dos EUA. No Reino Unido, as mulheres doam uma média de 0,8% de seus patrimônios, comparado com 0,5% para os homens, conforme mostra a pesquisa.

Sim, o encontrado confirma o estereótipo. Mas também tem grandes conseqüências para o futuro da filantropia.

Mais e mais mulheres estão conquistando suas próprias fortunas, o que as torna grandes doadoras por conta própria. E mesmo quando se trata do dinheiro do marido ou do pai, as mulheres freqüentemente tomam a dianteira na direção dos dólares de doações.

Não é só a percentagem que difere, mas também o método de doação. O relatório diz que as mulheres têm um maior senso cooperativo e ouvem uma variedade de opiniões antes de tomar uma decisão. Os homens geralmente decidem por conta própria.

Doadoras abastadas tendem a trabalhar em parcerias com instituições de caridade, ao contrário de impor condições para doar. Um enorme contraste com as tendências autoritárias masculinas de filantropia.

“O futuro da filantropia deverá se assentar no entendimento sobre como homens e mulheres poderão trabalhar em parceria”, diz Mattew Brady, diretor-gerente do Barclays Wealth para as Américas. “Ela vai se tornar muito mais cooperativa”.

Mas é claro que, na realidade, os homens ainda ganham e controlam a maior parte do dinheiro.

Então, você acredita que mulheres como Melinda Gates [na foto acima, com o marido, Bill Gates] mudarão a filantropia?

Written by Raul Marinho

14/07/2009 at 14:21

Jogador de futebol é da zelite?

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Ao contrário do que parece, os jogadores de futebol do Brasil – mesmo os que jogam nos principais clubes do país – dificilmente frequentam a zelite. Veja a lista abaixo (publicada na revista Placar, e obtida aqui) e perceba que somente os 20 mais bem pagos ganham US$1milhão/ano ou mais (aproximadamente R$170mil/mês).

Os maiores salários do futebol brasileiro

1°- Ronaldo* (Corinthians) = R$ 1.133.000

2°- Adriano** (Flamengo) = R$ 362.000

3°- Nilmar*** (Internacional) = R$ 360.000

4°- Fred (Fluminense) = R$ 350.000

5°- Leandro Amaral (Fluminense) = R$ 280.000

6°- Kléber (Cruzeiro) = R$ 280.000

7°- Thiago Neves (Fluminense) = R$ 270.000

8°- Edmílson (Palmeiras) = R$ 240.000

9°- Rogério Ceni (São Paulo) = R$230.000

10°- Washigton (São Paulo) = R$ 220.000

11°- Marcos**** (Palmeiras) = R$ 200.000

12°- D’Alessandro (Internacional) = R$ 200.000

13°- Léo (Santos) = R$ 200.000

14°- Fábio Costa (Santos) = R$ 200.000

15°- Lúcio Flávio (Santos) = R$ 185.000

16°- Kléber (Internacional) = R$ 180.000

17°- Maxi López (Grêmio) = R$ 180.000

18°- Souza (Corinthians) = R$ 175.000

19°- Kléber Pereira (Santos) = R$ 174.000

20°- Fábio (Cruzeiro) = R$ 173.000

21°- William (Corinthians) = R$ 150.000

22°- Kléberson (Flamengo) = R$ 150.000

23°- Carlos Alberto (Vasco) = R$ 150.000

24°- Mozart (Palmeiras) = R$ 140.000

25°- Léo Moura (Flamengo) = R$ 130.000

26°- Acosta (Náutico) = R$ 125.000

27°- Keirrison (Palmeiras) = R$ 120.000

28°- Diego Souza (Palmeiras) = R$ 120.000

29°- Marcelinho Paraíba (CORITIBA) = R$ 120.000

30°- Tcheco (Grêmio) = R$ 120.000

31°- Alex Mineiro (Grêmio) = R$ 120.000

32°- Souza (Grêmio) = R$ 120.000

33°- Fabão (Santos) = R$ 110.000

34°- Emerson (Flamengo) = R$ 110.000

35°- Obina (Palmeiras) = R$ 110.000

36°- Fabiano Eller (Santos) = R$ 100.000

37°- Diego Tardelli (Atlético-MG) = R$ 90.000

38°- Reinaldo (Botafogo) = R$ 90.000

* (80% são valores do patrocínio da manga e calção)

** (162 mil do Flamengo + % dos produtos da Olympikus)

*** (130 mil + um milhão de euros em parcelas anuais)

**** (Pode chegar a R$ 300.000 dependendo do número de partidas jogadas)

Written by Raul Marinho

22/06/2009 at 13:41

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TWR – O crescimento do “pobreguês”*

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[Nota: no original, *“poorgeoisie”, um neologismo proveniente da junção das palavras poor (pobre) e bourgeoisie (burguês)]

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O jornalista David Brooks os apelidou de “BoBos”, os “burgueses boêmios”, que criaram um establishment anti-establishment. Eles foram os ambientalistas comedores-de-queijos-finos e proprietários de veículos fora de estrada que lutaram contra a elite, mesmo que eles próprios pertençam a ela.

Eles foram, em resumo, os ricos anti-ricos.

Agora, a imprensa os está chamando de “pobregueses”, empreendedores ricos e executivos que preferem parecer com artistas mortos de fome. Um artigo no jornal inglês The Guardian diz que a crise econômica mundial fez os pobregueses mais comuns do que nunca.

“Eles são ricos e amam gastar dinheiro – mas eles gostam de fingir que eles estão enfrentando momentos difíceis como o resto de nós”, diz o artigo.

“É a última moda, nova desde o Brooklyn até Portland, onde as ruas estão recém pavimentadas com artigos pobregueses. O pobreguês é o rico da contracultura que adotou uma forma de consumismo anti-consumista, uma maneira de gastar para fazer deles mesmos parecidos com quem não gasta. É uma nova onda para os ricos que não querem parecer ricos e querem comprar sua porta de saída da culpa e da vergonha de ter dinheiro num tempo de empobrecimento em massa”

De acordo com o artigo, eles dirigem carros híbridos, têm empregos criativos, e plantam suas próprias verduras.

Eu [Robert Frank], entretanto, não creio que os pobregueses sejam tão novos assim, e nem tão reais. Mesmo antes da atual crise econômica, muitos milionários gostavam de se camuflar como proletários – embarcando nos seus jatinhos particulares de jeans, tênis e camiseta. Eles preferem parecer com líderes intelectuais e artistas criativos do que com outros ricos.

Eles são os caras da Google[foto acima], ou o Richard Branson, ou os gestores de fundos hedge compradores de arte de Greenwich, Connecticut.

“Bobos”, pobregueses, e todos aqueles que fingem ser menos ricos estão entre nós há anos. O que mudou é que muitos deles não precisam mais fingir [nota: piada sutil sobre o empobrecimento dos milionários].

Written by Raul Marinho

18/06/2009 at 14:05

Riquistão – Cap.8: Filantropia performática

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Neste que é um dos melhores capítulos de Riquistão, o autor mostra dois aspectos distintos da filantropia praticada pelos riquistaneses dos EUA. De um lado, o fato de que grande parte do altruísmo estadunidense nada tem a ver com “fazer o bem sem esperar nada em troca”. Segundo o autor, grande parte das atividades filantrópicas dos EUA estaria ligada a alguma maneira de compensação (ex.: melhoria de imagem, vantagens fiscais, etc.), o que ele chama de “altruísmo competitivo”. No extremo oposto, o Robert Frank identifica um novo tipo de filantropo, que se comporta como um empreendedor capitalista agressivo, e o exemplo utilizado é o trabalho do alto-riquistanês Philip Berber – um sujeito que ficou multimilionário quando vendeu a CyBerCorp, sua empresa pontocom, no auge da bolha da internet, por US$450milhões, e fundou a Glimmer of Hope, sua super-ONG focada na ajuda à Etiópia, com uma doação inicial de US$100milhões. Na verdade, o autor procura fazer um balaceamento entre o lado podre da filantropia (ou pilantropia, de acordo com o neologismo local), e uma iniciativa interessante em termos de “altruísmo competitivo”: o “altruísmo corporativo de resultados”.

A maneira econômica de fazer brilhar a sua imagem

A idéia é simples: em termos de relações públicas, nada melhor que distribuir um sopão para os pobres. Não consigo pensar num exemplo melhor que o programa Bolsa Família do Brasil para ilustrar isso melhor, muito embora não seja uma iniciativa riquistanesa, já que efetivada pelo Estado. O fato é que (quase) toda atividade altruísta gera melhoria de imagem, e quando a imagem é muito valiosa, também deverá ser vultosa a contribuição doada. Bill Gates doou à caridade US$31bilhões em 2005, isso não é brincadeira. (Se bem que, no caso dele, também está embutido o problema da herança, que veremos a seguir – assim como também veremos por que não é bem assim). O fato é que o Bill Gates pode ter todos os defeitos, mas burro o cara não é: doar US$31bi para a caridade foi um baita negócio para ele e para a MicroSoft, uma vez que tanto ele quanto a empresa que ele fundou são entidades odiadas globalmente. Quanto vale, em dólares, uma mudança na percepção da MS pela opinião publica em, digamos, 25% para melhor?

O problema da herança

Muita gente, especialmente o pessoal da Billionaireville, está pensando o seguinte. “Será que eu seria um bilionário se meu pai me deixasse bilhões de herança? Talvez minha filha seja uma futura Paris Hilton… Melhor deixar a menina com menos dinheiro – digamos, US$300milhões”. O Frank diz que isso acontece, quem sou eu para duvidar, mas tenho minhas reservas quanto a esse tipo de comportamento. (Entretanto, é muito menos provável que um médio-riquistanês -digamos, um sujeito com um patrimônio de US$50milhões- tire um centavo da herança dos filhos. De qualquer maneira, informa o autor que uma pesquisa do Boston College’s Centre on Wealth and Philantropy (Centro [de pesquisas sobre] riqueza e filantropia da Faculdade de Boston) entre donos de fortunas superiores a US$30milhões aponta que 65% disseram preferir doar uma parte maior de sua fortuna enquanto estiverem vivos a deixá-la como herança.

A dança pelo dinheiro

Para quem acha que a sacanagem é exclusiva dos brasileiros: de acordo com um levantamento da McKinsey (a melhor consultoria dos EUA), em 2003 as ONGs americanas desperdiçaram US$100bilhões com levantamentos de fundos e despesas administrativas. Isso acontece, em grande medida, porque os doadores assim o fazem para ascender socialmente, para conquistar amigos, ou para promover interesses comerciais, e não têm nenhum interesse sobre como o dinheiro será realmente aplicado. É o que o Berber, fundador da CyBerCorp, chama de dançar pelo dinheiro ou filantropia de bem estar: “Alguém assina um cheque para a faculdade que freqüentou, depois de ter sido cortejado e paparicado, e, depois disso, sente-se bem. É a filantropia do ego social, com a qual você se torna prestigiado em seu meio. Você quer ser visto doando. Não há nada de humildade nisso; essas pessoas querem ficar em evidência e querem ver seu nome em tudo. A filantropia do ego social e do bem estar se resumem em responder a solicitações”.

O case Berber

Falando assim, friamente, parece que ganhar US$450milhões na bolha ponto.com dos anos 1999/2000 é brincadeira de criança. Mas não é, embora alguns tenham enriquecido mais por sorte do que por competência. E Berber foi um dos que merecia ganhar, pois foi o sujeito que inventou o e-brookerage, a compra e venda de ativos financeiros pela internet. Jovem (45 anos), hiperativo, nerd, atleta (maratonista), careca (tipo Marcelo Tas), “sua atividade é investir em mudanças sociais, o que exige resultados concretos e a busca pelo estilo eficiente das empresas ponto.com”, derrete-se o autor. Lógico que Berber tem oposição forte no mundo da filantropia (o pessoal das ONGs o acusa de ser tudo, menos de exemplo de filantropo), mas o fato é que o sujeito fundou uma entidade chamada Glimmer of Hope que está apresentando resultados expressivos no combate à pobreza na Etiópia. O mais interessante, entretanto, são os índices de eficiência da Glimmer – por exemplo: eles fornecem água a US$5,74/pessoa/ano e dão assistência médica a US$4,01/pessoa/ano, praticamente a metade do custo das grandes ONGs.

A receita do Berber é composta de 5 regras básicas:

1)Conhecer seu cliente: no caso da Glimmer, focada na Etiópia, o Berber praticamente se mudou para a África e realizou uma pesquisa etnográfica de campo espetacular, além de extensa pesquisa acadêmica.

2)Reduzir custos, eliminar intermediários: a Glimmer detesta ONGs intermediando recursos, e sempre que possível realiza as obras diretamente, com uma boa estrutura de fiscalização e controle.

2)Fazer os clientes se envolverem: nada mais que a tão manjada “sustentabilidade” (um conceito interessante, embora já muito desgastada pelo uso massivo na mídia).

3)Cobrar a responsabilidade das pessoas: quando a Glimmer financia um projeto, ela o faz por apensa um trimestre; se o beneficiário não apresenta resultados satisfatórios, o financiamento é cortado já no 2º trimestre.

4)Fazer os clientes se envolverem: a idéia é envolver os cidadãos no processo – “compramos os tijolos, eles constroem as paredes; compramos os canos, eles cavam as valas”.

5)Alavancar os dólares doados: um conceito empresarial que o Berber utilizou na sua empresa e adaptou para a Glimmer, que se envolve em projetos subsidiados por governos e outras ONGs, de modo a fazer render ao máximo os recursos da Glimmer.

Written by Raul Marinho

16/06/2009 at 17:12

A zelite e a solidariedade

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bem feito

Nesse post, já havia comentado sobre a falta de solidariedade para com a zelite quando ocorrem acidentes e/ou tragédias em que os mortos são da zelite. Agora, com a queda do avião da Air France, a coisa se repete (muito embora a maioria dos mortos nem seja da zelite propriamente dita, mas para a maioria, andou de avião, viajou para a zorópia, é zelite – ou uzricu, depende da tribo). O amigo e leitor A.C.Maia, enviou um exemplo de comentário obtido no site Terra:

Arlei Gonçalves

postado: 01/06/2009 – 19h41

Com todo o respeito aos familiares dos passageiros e tripulantes, mas nunca ví vice-presidente amparar família de vítima de barco que afundou ou de caminhão boia fria tombado.

Fui no Terra e achei muitos outros do gênero. Nos orkuts e blogs internet afora é possível encontrar vários outros exemplos da falta de solidariedade que a zelite gera na população em geral. …É o ônus de ser da zelite. (Sorte que os bônus compensam).

Written by Raul Marinho

02/06/2009 at 17:33

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