D/Z – Dossiê Zelite

Informação teórica sobre a riqueza + Etnografia dos ricos

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TWR – Quem doa mais para a caridade: homens ou mulheres?

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Atenção ongueiros e demais envolvidos em trabalhos sociais: foco nas mulheres! Pelo menos é o que diz as pesquisas apresentadas neste post do The Wealth Report, abaixo traduzido.

É amplamente entendido que as mulheres são mais caridosas que os homens.

Uma nova pesquisa coloca números nisso: as mulheres da zelite doam aproximadamente o dobro do que seus correspondentes masculinos.

Em uma pesquisa divulgada nesta semana, o Relatório Ledbury para o Barclay’s Wealth, verificou-se que as mulheres dos EUA doam 3,5% de seus patrimônios, em média. A pesquisa realizada com as 500 pessoas detentoras de ativos financeiros superiores a US$1milhão encontrou uma média de doações de 1,8% para os homens.

E isto não é um fenômeno exclusivo dos EUA. No Reino Unido, as mulheres doam uma média de 0,8% de seus patrimônios, comparado com 0,5% para os homens, conforme mostra a pesquisa.

Sim, o encontrado confirma o estereótipo. Mas também tem grandes conseqüências para o futuro da filantropia.

Mais e mais mulheres estão conquistando suas próprias fortunas, o que as torna grandes doadoras por conta própria. E mesmo quando se trata do dinheiro do marido ou do pai, as mulheres freqüentemente tomam a dianteira na direção dos dólares de doações.

Não é só a percentagem que difere, mas também o método de doação. O relatório diz que as mulheres têm um maior senso cooperativo e ouvem uma variedade de opiniões antes de tomar uma decisão. Os homens geralmente decidem por conta própria.

Doadoras abastadas tendem a trabalhar em parcerias com instituições de caridade, ao contrário de impor condições para doar. Um enorme contraste com as tendências autoritárias masculinas de filantropia.

“O futuro da filantropia deverá se assentar no entendimento sobre como homens e mulheres poderão trabalhar em parceria”, diz Mattew Brady, diretor-gerente do Barclays Wealth para as Américas. “Ela vai se tornar muito mais cooperativa”.

Mas é claro que, na realidade, os homens ainda ganham e controlam a maior parte do dinheiro.

Então, você acredita que mulheres como Melinda Gates [na foto acima, com o marido, Bill Gates] mudarão a filantropia?

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Written by Raul Marinho

14/07/2009 at 14:21

TWR – O crescimento do “pobreguês”*

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[Nota: no original, *“poorgeoisie”, um neologismo proveniente da junção das palavras poor (pobre) e bourgeoisie (burguês)]

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O jornalista David Brooks os apelidou de “BoBos”, os “burgueses boêmios”, que criaram um establishment anti-establishment. Eles foram os ambientalistas comedores-de-queijos-finos e proprietários de veículos fora de estrada que lutaram contra a elite, mesmo que eles próprios pertençam a ela.

Eles foram, em resumo, os ricos anti-ricos.

Agora, a imprensa os está chamando de “pobregueses”, empreendedores ricos e executivos que preferem parecer com artistas mortos de fome. Um artigo no jornal inglês The Guardian diz que a crise econômica mundial fez os pobregueses mais comuns do que nunca.

“Eles são ricos e amam gastar dinheiro – mas eles gostam de fingir que eles estão enfrentando momentos difíceis como o resto de nós”, diz o artigo.

“É a última moda, nova desde o Brooklyn até Portland, onde as ruas estão recém pavimentadas com artigos pobregueses. O pobreguês é o rico da contracultura que adotou uma forma de consumismo anti-consumista, uma maneira de gastar para fazer deles mesmos parecidos com quem não gasta. É uma nova onda para os ricos que não querem parecer ricos e querem comprar sua porta de saída da culpa e da vergonha de ter dinheiro num tempo de empobrecimento em massa”

De acordo com o artigo, eles dirigem carros híbridos, têm empregos criativos, e plantam suas próprias verduras.

Eu [Robert Frank], entretanto, não creio que os pobregueses sejam tão novos assim, e nem tão reais. Mesmo antes da atual crise econômica, muitos milionários gostavam de se camuflar como proletários – embarcando nos seus jatinhos particulares de jeans, tênis e camiseta. Eles preferem parecer com líderes intelectuais e artistas criativos do que com outros ricos.

Eles são os caras da Google[foto acima], ou o Richard Branson, ou os gestores de fundos hedge compradores de arte de Greenwich, Connecticut.

“Bobos”, pobregueses, e todos aqueles que fingem ser menos ricos estão entre nós há anos. O que mudou é que muitos deles não precisam mais fingir [nota: piada sutil sobre o empobrecimento dos milionários].

Written by Raul Marinho

18/06/2009 at 14:05

Riquistão – Cap.8: Filantropia performática

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Neste que é um dos melhores capítulos de Riquistão, o autor mostra dois aspectos distintos da filantropia praticada pelos riquistaneses dos EUA. De um lado, o fato de que grande parte do altruísmo estadunidense nada tem a ver com “fazer o bem sem esperar nada em troca”. Segundo o autor, grande parte das atividades filantrópicas dos EUA estaria ligada a alguma maneira de compensação (ex.: melhoria de imagem, vantagens fiscais, etc.), o que ele chama de “altruísmo competitivo”. No extremo oposto, o Robert Frank identifica um novo tipo de filantropo, que se comporta como um empreendedor capitalista agressivo, e o exemplo utilizado é o trabalho do alto-riquistanês Philip Berber – um sujeito que ficou multimilionário quando vendeu a CyBerCorp, sua empresa pontocom, no auge da bolha da internet, por US$450milhões, e fundou a Glimmer of Hope, sua super-ONG focada na ajuda à Etiópia, com uma doação inicial de US$100milhões. Na verdade, o autor procura fazer um balaceamento entre o lado podre da filantropia (ou pilantropia, de acordo com o neologismo local), e uma iniciativa interessante em termos de “altruísmo competitivo”: o “altruísmo corporativo de resultados”.

A maneira econômica de fazer brilhar a sua imagem

A idéia é simples: em termos de relações públicas, nada melhor que distribuir um sopão para os pobres. Não consigo pensar num exemplo melhor que o programa Bolsa Família do Brasil para ilustrar isso melhor, muito embora não seja uma iniciativa riquistanesa, já que efetivada pelo Estado. O fato é que (quase) toda atividade altruísta gera melhoria de imagem, e quando a imagem é muito valiosa, também deverá ser vultosa a contribuição doada. Bill Gates doou à caridade US$31bilhões em 2005, isso não é brincadeira. (Se bem que, no caso dele, também está embutido o problema da herança, que veremos a seguir – assim como também veremos por que não é bem assim). O fato é que o Bill Gates pode ter todos os defeitos, mas burro o cara não é: doar US$31bi para a caridade foi um baita negócio para ele e para a MicroSoft, uma vez que tanto ele quanto a empresa que ele fundou são entidades odiadas globalmente. Quanto vale, em dólares, uma mudança na percepção da MS pela opinião publica em, digamos, 25% para melhor?

O problema da herança

Muita gente, especialmente o pessoal da Billionaireville, está pensando o seguinte. “Será que eu seria um bilionário se meu pai me deixasse bilhões de herança? Talvez minha filha seja uma futura Paris Hilton… Melhor deixar a menina com menos dinheiro – digamos, US$300milhões”. O Frank diz que isso acontece, quem sou eu para duvidar, mas tenho minhas reservas quanto a esse tipo de comportamento. (Entretanto, é muito menos provável que um médio-riquistanês -digamos, um sujeito com um patrimônio de US$50milhões- tire um centavo da herança dos filhos. De qualquer maneira, informa o autor que uma pesquisa do Boston College’s Centre on Wealth and Philantropy (Centro [de pesquisas sobre] riqueza e filantropia da Faculdade de Boston) entre donos de fortunas superiores a US$30milhões aponta que 65% disseram preferir doar uma parte maior de sua fortuna enquanto estiverem vivos a deixá-la como herança.

A dança pelo dinheiro

Para quem acha que a sacanagem é exclusiva dos brasileiros: de acordo com um levantamento da McKinsey (a melhor consultoria dos EUA), em 2003 as ONGs americanas desperdiçaram US$100bilhões com levantamentos de fundos e despesas administrativas. Isso acontece, em grande medida, porque os doadores assim o fazem para ascender socialmente, para conquistar amigos, ou para promover interesses comerciais, e não têm nenhum interesse sobre como o dinheiro será realmente aplicado. É o que o Berber, fundador da CyBerCorp, chama de dançar pelo dinheiro ou filantropia de bem estar: “Alguém assina um cheque para a faculdade que freqüentou, depois de ter sido cortejado e paparicado, e, depois disso, sente-se bem. É a filantropia do ego social, com a qual você se torna prestigiado em seu meio. Você quer ser visto doando. Não há nada de humildade nisso; essas pessoas querem ficar em evidência e querem ver seu nome em tudo. A filantropia do ego social e do bem estar se resumem em responder a solicitações”.

O case Berber

Falando assim, friamente, parece que ganhar US$450milhões na bolha ponto.com dos anos 1999/2000 é brincadeira de criança. Mas não é, embora alguns tenham enriquecido mais por sorte do que por competência. E Berber foi um dos que merecia ganhar, pois foi o sujeito que inventou o e-brookerage, a compra e venda de ativos financeiros pela internet. Jovem (45 anos), hiperativo, nerd, atleta (maratonista), careca (tipo Marcelo Tas), “sua atividade é investir em mudanças sociais, o que exige resultados concretos e a busca pelo estilo eficiente das empresas ponto.com”, derrete-se o autor. Lógico que Berber tem oposição forte no mundo da filantropia (o pessoal das ONGs o acusa de ser tudo, menos de exemplo de filantropo), mas o fato é que o sujeito fundou uma entidade chamada Glimmer of Hope que está apresentando resultados expressivos no combate à pobreza na Etiópia. O mais interessante, entretanto, são os índices de eficiência da Glimmer – por exemplo: eles fornecem água a US$5,74/pessoa/ano e dão assistência médica a US$4,01/pessoa/ano, praticamente a metade do custo das grandes ONGs.

A receita do Berber é composta de 5 regras básicas:

1)Conhecer seu cliente: no caso da Glimmer, focada na Etiópia, o Berber praticamente se mudou para a África e realizou uma pesquisa etnográfica de campo espetacular, além de extensa pesquisa acadêmica.

2)Reduzir custos, eliminar intermediários: a Glimmer detesta ONGs intermediando recursos, e sempre que possível realiza as obras diretamente, com uma boa estrutura de fiscalização e controle.

2)Fazer os clientes se envolverem: nada mais que a tão manjada “sustentabilidade” (um conceito interessante, embora já muito desgastada pelo uso massivo na mídia).

3)Cobrar a responsabilidade das pessoas: quando a Glimmer financia um projeto, ela o faz por apensa um trimestre; se o beneficiário não apresenta resultados satisfatórios, o financiamento é cortado já no 2º trimestre.

4)Fazer os clientes se envolverem: a idéia é envolver os cidadãos no processo – “compramos os tijolos, eles constroem as paredes; compramos os canos, eles cavam as valas”.

5)Alavancar os dólares doados: um conceito empresarial que o Berber utilizou na sua empresa e adaptou para a Glimmer, que se envolve em projetos subsidiados por governos e outras ONGs, de modo a fazer render ao máximo os recursos da Glimmer.

Written by Raul Marinho

16/06/2009 at 17:12

TWR – Você se casaria por dinheiro?

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O post abaixo, publicado em dezembro de 2007 no TWR, explora uma pesquisa feita nos EUA sobre como as pessoas vêem a questão do golpe do baú. Interessante como os paradigmas da Psicologia Evolutiva funcionam: homens são muito mais baratos que mulheres, e mulheres novas são muito mais caras que velhas (a exceção das mulheres de 40 anos deve ser mais bem explicada – eu tenho uma hipótese: nessa idade, a percepção de dinheiro é muito mais aguçada, e elas sabem que os possíveis parceiros também têm recursos). Novamente, é lamentável que pesquisa semelhante não exista no Brasil. Como será que pensam nossos compatriotas?

Casar por dinheiro é uma idéia repulsiva. Nós devemos nos casar por amor. Nós devemos procurar por nossa alma gêmea. Ou, pelo menos, é isso o que o cinema nos diz.

A realidade é um pouco mais complicada. A explosão do número de milionários e bilionários na década passada trouxe oportunidades sem precedentes para alpinistas sociais, colocando em evidência o assunto dos casamentos por dinheiro.

Na minha [do Frank] coluna impressa de hoje, eu mostro uma nova pesquisa em que se pergunta aos estadunidenses a seguinte questão: “Quanto você estaria disposto(a) a se casar com uma pessoa de aparência mediana de quem você gosta, se esta pessoa tivesse dinheiro?” Essa pergunta foi feita para 1.134 pessoas com renda anual entre US$30mil e US$60mil – bem no centro da renda média dos estadunidenses.

Metade dos homens e dois terços das mulheres pesquisadas disseram que estariam querendo “muito” ou “extremamente”. Em outras palavras, enquanto os estadunidenses dizem que se casam por amor, a maioria está querendo casar por dinheiro.

Mas qual é o preço deles?

Aqui é onde a pesquisa fica interessante. Em média uma pessoa precisa de US$1,7milhões para se interessar em se casar com alguém.

Para as mulheres, o preço muda com a idade. Mulheres na casa dos 20 anos são as que têm o preço mais alto: US$2,5milhões. Mulheres na casa dos 30 querem US$1,1milhão, mas os preços sobem novamente para US$2,2milhões quando elas atingem os 40.

Os homens são mais baratos, não importa a idade: eles querem por volta de US$1milhão.

É claro que casar por dinheiro traz um casamento e uma vida ruins. O que explica por que a maioria dos que disseram que se casaria por dinheiro também disse que não se importaria se ele acabasse. Nada menos que 71% das mulheres da faixa de 20 anos que disseram que se casariam por dinheiro também têm a expectativa de se divorciar desta pessoa.

Na nossa era mercenária, com uma diferença crescente entre os ricos e todo o resto, não é surpresa que o casamento se tornou mais uma transação comercial do que um compromisso. Não importa que os casos da Britney Spears e Kevin Federline, ou do Paul McCartney e Heather Mills, o dinheiro (quanto, quem fica com o quê) parece ser o motivador, ou pelo menos o resultado final.

Written by Raul Marinho

27/05/2009 at 16:20

Como os ricos ficam ricos?

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ficar rico

Como todo mundo sabe, um sujeito rico ganha dinheiro com os juros de seu capital, com os aluguéis de seus imóveis, com os dividendos de suas empresas, e com a renda de suas fazendas – nos últimos dois casos, incluindo o lucro com a mais-valia do trabalho de seus empregados, acrescentaria um marxista de plantão. Isso é verdade, mas como, em primeiro lugar, esse cidadão consegue o capital para lhe render juros, os imóveis que lhe rendem aluguéis, as empresas que lhes pagam dividendos, e as fazendas geradoras de renda?

Uma parte dos ricos simplesmente tem recursos “de fábrica” (são herdeiros), outros ganham na loteria, e alguns se casam com milionários, mas esses tipos de rico compõem uma minoria. Por incrível que pareça, a maior parte da zelite enriqueceu trabalhando: são empresários, executivos, cantores, advogados, jogadores de futebol, fazendeiros, e comerciantes que trabalham muito, só que de forma escalável. Quem desenvolve atividades não-escaláveis (ex.: dentistas, contadores, pilotos de avião, artesãos, funcionários públicos, assalariados em geral, etc.) não ficam ricos – embora possuam grandes chances de terminarem a vida em melhor situação econômica que a média dos que exerceram atividades escaláveis (mas isso é uma outra história).

Como ilustração, vamos examinar a trajetória profissional do comandante Rolim Amaro, que era o presidente e principal acionista da TAM quando morreu, em 2001. O Rolim era de família pobre, e conseguiu o seu brevê fazendo bico como contínuo na zona do meretrício de Catanduva, interior de São Paulo*. Formado piloto comercial, trabalhou como empregado dos Ometto um tempo, depois teve um pequeno táxi aéreo no Norte do país, até assumir a TAM, que estava em estado (pré)falimentar na época. Daí para a frente, é a história que todo mundo conhece: do transporte aéreo regional para a maior companhia aérea do Brasil, com linhas para o exterior, capital em bolsa, marca bilionária, etc.

A trajetória do Rolim é a ideal para entendermos como funciona essa tal de escalabilidade e o que isso tem a ver com a maneira como as pessoas ficam ricas. Primeiro porque ele começou do zero absoluto, o que é raro. Segundo, porque ele teve várias fases profissionais em termos de escalabilidade: uma 100% não-escalável (piloto dos Ometto), uma 100% escalável (mega-empresário na TAM), e uma fase mista, quando tocava um pequeno táxi aéreo (atividade escalável) e pilotava seus próprios aviões (atividade não-escalável). E, em terceiro lugar, porque a atividade que o Rolim desempenhou no início de sua carreira (piloto comercial) ainda é mais ou menos igual hoje em dia, então será possível fazermos projeções sobre um “Rolim hipotético” (digamos, o sr. Rolando, que só existe no mundo teórico) que nunca deixou de pilotar para um patrão (logo, sempre desempenhou atividades não-escaláveis).

Digamos que o sr. Rolando começou a carreira pilotando monomotores ganhando R$3mil/mês, e se aposentou como comandante de 747 em vôos internacionais, com R$30mil/mês de salário. Rolando nunca passou fome na aviação, mas também não ficou rico. Por outro lado, o Rolim, que de fato ficou milionário como empresário, poderia ter falido e ficado na miséria. Na verdade, a chance do Rolim ter acabado seus dias atendendo oficiais de justiça e cobradores era muito maior do que a de ter se tornado o maior empresário da aviação nacional. Mas, na vida real, o Rolim ficou rico, e isso é que importa – afinal de contas, estamos falando sobre como os ricos ficam ricos, não como eles não ficam, não é mesmo?

De qualquer modo, para cada empresário que fica rico como o Rolim, existem milhares de outros que acabam na miséria (só que estes não têm a biografia estudada e ninguém se preocupa muito com eles). Da mesma forma, para cada Roberto Carlos que vende milhões de discos, existem milhares de outros cantores que não ganham o suficiente para comer. E o mais surpreendente é que, dentre esses milhares de cantores que nunca chegam a gravar um mísero single, muitos devem ser tão bons (talvez melhores) que o Rei. Dentre os empresários é a mesma coisa: apesar do Rolim ter sido um empresário excepcional, é certo que muitos dos que pereceram no meio do caminho tenham sido tão bons quanto. O que faz a diferença, então?

Recentemente, a Susan Boyle, uma cantora desengonçada da Inglaterra, tornou-se celebridade aos 47 anos, depois de se apresentar em um programa de calouros. O mundo ficou chocado em saber que uma cantora como aquela não havia sido descoberta antes, mas isso é o mais comum. Existem, hoje, milhares de Susan Boyles que morrerão sem ninguém saber quem foram. O que fez da Susan Boyle real uma celebridade foi ela estar no lugar certo na hora certa, um golpe de sorte, uma pequena diferença de desempenho que gerou um resultado absurdamente melhor. Foi o mesmo que aconteceu com o Rolim para que ele se tornasse o maior empresário da aviação do Brasil.

Eu ouvi dele mesmo a seguinte história. Num dado momento (muitas e muitas luas atrás), a TAM estava num momento delicado, praticamente insolvente. Não havia dinheiro em caixa nem para pagar o seguro dos aviões, que estavam vencendo, mas o Rolim, seguindo um conselho de não-sei-quem, se endividou no banco e pagou o seguro. Dias depois, um avião dele não conseguiu frear num pouso no aeroporto Santos Dumont e acabou na baía da Guanabara, dando perda total (sem mortos ou feridos). A indenização do seguro acabou resolvendo os problemas financeiros do momento, e a TAM não faliu. E se o avião se acidentasse sem o seguro ter sido renovado? Provavelmente, hoje, o Rolim estivesse pilotando para alguém na aviação executiva.

Tudo isso se baseia no mecanismo dos “mercados de tudo ou nada”, em que há altíssima assimetria entre o topo e a base da pirâmide. Logo acima, mencionei que pilotos de avião em início de carreira ganham cerca de R$3mil/mês, enquanto que os comandantes de linhas internacionais de jatos de grande porte ganham cerca de dez vezes esse valor (aproximadamente R$30mil/mês). Entre os empresários, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é de milhares de vezes, mesma coisa com os cantores, jogadores de futebol, etc. Respondendo a pergunta do artigo: os ricos ficam ricos porque são vencedores em mercados de tudo ou nada. Como vencer nestes mercados é que são elas: Sorte? Predestinação? Não sei; o que sei é que é preciso continuar tentando, pois a única coisa realmente certa é que quem desiste tem chance zero de ficar rico.

…Ou então partir para uma atividade não-escalável – que, segundo o Nicholas Taleb, seria a alternativa mais inteligente (isso faz parte do assunto para outro post).

*Essa história foi contada pelo próprio comandante Rolim, numa palestra para mais de 100 estudantes de administração na FEA/USP no final da década de 1980 (provavelmente 1988). Segundo o comandante, ele usava um Ford Perfect das moças para fazer serviços na cidade (ex.: ir ao banco).

(LINK para a ilustração original).

A zelite e a herança

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herança ricos

Muito boa a reportagem abaixo, do Danny Wilcox Frazier para a Época Online. Pena que não haja menção à zelite nacional…

Milionários preferem dar dinheiro para caridade do que deixar para os filhos

Pesquisa mostra que 62% dos pesquisados com ativos de mais de US$ 800 mil planejam deixar seu dinheiro para organizações beneficentes para incentivar os filhos a trabalhar

O interesse crescente em filantropia entre os mais ricos do Reino Unido e dos Estados Unidos indica que a próxima geração de multi-milionários talvez não faça justiça ao título. Segundo uma pesquisa divulgada agora, muitos milionários – e até bilionários – pretendem deixar menos dinheiro como herança para seus filhos.

Pesquisa da Richard Harris, fundadores do serviço de testamento online, descobriu que 62% das pessoas com ativos estimados em mais de US$ 800 mil planejam gastar seu dinheiro com obras de caridade ou simplesmente doá-lo para as organizações.

Com isso, os milionários estariam seguindo os passos de ricos “do bem” como Bill Gates e Duncan Bannatyne, que decidiram doar a maior parte de suas fortunas para causas nobres a fim de iincentivar os filhos a iniciar uma carreira e pagar suas próprias contas.

Segundo o próprio Richard Harris, “filantropos ricos, principalmente empreendedores multi-milionários, são firmes em dizer que querem que seus filhos tenham um incentivo para trabalhar duro como eles fizeram em suas vidas. E uma forma de fazer isso é limitando suas heranças”.

“Os pais não querem tirar a ambição dos filhos”, diz. “Em vez de deixar suas fortunas para trás, eles estão repassando a maior parte do dinheiro para causas sociais que eles já defendem e nas quais acreditam. Eles estão colocando mais ênfase em deixar um legado que beneficie a sociedade.”

“Há uns dez anos, 75% da lista dos mais ricos do jornal Sunday Times eram compostos por gente que havia herdado dinheiro de família. Hoje, essa proporção é inversa”.

Tanto é verdade que a lista dos filantropos inclui nomes de prestígio do mundo dos negócios.

  • Duncan Bannatyne – Empreendedor que faz parte do programa de TV inglês “Dragon’s Den”, em que milionários dizem se vão ou não investir no negócio de novos empreendedores. Pai de seis filhos. Ele criou um fundo para beneficiar suas crianças, mas já avisou aos filhos que eles terão de demonstrar fibra moral suficiente antes de receber sua parte do quinhão.
  • Peter Jones – Empreendedor que também faz parte do programa “Dragon’s Den” já disse aos cinco filhos que eles terão de trabalhar, mas prometeu que um fundo vai dobrar sua renda a cada ano e se eles decidirem trabalhar com organizações de caridade (terceiro setor) ou assumirem um trabalho socialmente responsável, o fundo pagará três vezes seu salário anual.
  • Bill Gates – O fundador da Microsoft planeja doar a maior parte de sua fortuna antes de morrer, mas quer deixar US$ 10 milhões para cada um dos três filhos. O resto vai direto para obras de caridade nas quais está envolvido com a Fundação Bill e Melissa Gates. Ele é especialmente atraído para projetos de educação em países menos desenvolvidos.
  • Warren Buffet – O mega-investidor americano, segundo homem mais rico do mundo atrás somente do amigo Bill Gates, tem uma fortuna estimada em US$ 62 bilhões. Ele já declarou que vai deixar aos filhos “o suficiente para que eles possam fazer qualquer coisa, mas não tanto que não queiram fazer nada na vida”
  • Barron Hilton – O avô da patricinha Paris Hilton prometeu doar 97% da sua fortuna de US$ 2,3 bilhões para entidades beneficentes.

Written by Raul Marinho

24/05/2009 at 12:46

TWR – Como perder em um casamento ganha-ganha

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O divórcio, quando ocorre na zelite, tende a ser bizarro. Quando os cônjuges têm uma diferença de status muito grande, mais ainda. Mas quando a mulher é uma loira lindíssima de de 22 anos, e o marido um sujeito de 84; e o casório dura somente 4 meses, é impagável. É sobre isso que o post abaixo, do TWR, trata.

Hardy Wedding

O casamento entre Kristin Georgi, de 22 anos, e o magnata de 84 anos Joe Hardy [os da foto acima] foi suficientemente previsível. Romance avassalador, muitos presentes, e então o divórcio quatro meses depois.

O divórcio deles, em 2007, é notícia velha. Mas esta semana a sra. Georgi jogou novas luzes sobre as circunstâncias do encontro dela e sobre a natureza dos casamentos mercenários. Exceto quando ela disse que não teve nada a ver com dinheiro.

O Sr. Hardy, como os leitores do The Wealth Report devem se lembrar quando contamos sobre seu aniversário de 84 anos em que a Christina Aguilera e o Robin Williams se apresentaram, é o fundador da 84 Lumber da Pennsylvania [uma empresa que fornece materiais e serviços, inclusive financeiros, para empreiteiras privadas]. Ele esteve casado por duas vezes anteriormente. Quando ele encontrou a sra. Georgi, trabalhando no salão de beleza do SPA Woodlands Resort em março de 2007, ele foi fisgado.

Em uma entrevista para a estação de TV de Pittsburgh, Kristin Georgi disse que sua amizade começou como muitas outras amizades – com um Porsche. Aquele foi seu presente de Páscoa. Que foi seguido por um anel de noivado. Mas não faça má idéia, aquilo não foi uma proposta para que ela abrisse as pernas. Os milionários são mais eficientes.

“Aquilo foi como ‘ei, você gostou deste anel?’”, ela recorda. “E eu gostei, ‘Sim!’. E ele disse ‘É seu’”.

Houve viagens de jatinho particular para Budapeste, Madri, Paris, Itália, Londres, e para a casa deles na Flórida. O filho dela de dois anos – de um relacionamento anterior – ganhou um tigre de estimação. O Sr. Hardy “fez tudo parecer como uma situação de ganha-ganha. Ele fez as coisas parecerem, literalmente, que você não tinha nada a perder”.

Quatro meses depois do casamento, eles se divorciaram. O sr. Hardy disse que o casamento era “intolerável”.

A sra. Georgi insiste que não se casou pelo dinheiro, mesmo que ela exiba seus sapatos e bolsas Dolce & Gabana e Chanel. A prova, diz ela, está em seu acordo pré-nupcial. “Eu acho que qualquer um que tenha qualquer coisa a dizer sobre mim deva ler meu acordo pré-nupcial, pois isso faria com que se mudasse a idéia instantaneamente”, diz a sra. Georgi.

Ou isso somente significa que ela teve um péssimo advogado.

A sra. Georgi, é claro, está escrevendo um livro sobre aqueles quatro meses mágicos, baseado no diário que ela estava mantendo.