D/Z – Dossiê Zelite

Informação teórica sobre a riqueza + Etnografia dos ricos

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TWR – Quem doa mais para a caridade: homens ou mulheres?

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Atenção ongueiros e demais envolvidos em trabalhos sociais: foco nas mulheres! Pelo menos é o que diz as pesquisas apresentadas neste post do The Wealth Report, abaixo traduzido.

É amplamente entendido que as mulheres são mais caridosas que os homens.

Uma nova pesquisa coloca números nisso: as mulheres da zelite doam aproximadamente o dobro do que seus correspondentes masculinos.

Em uma pesquisa divulgada nesta semana, o Relatório Ledbury para o Barclay’s Wealth, verificou-se que as mulheres dos EUA doam 3,5% de seus patrimônios, em média. A pesquisa realizada com as 500 pessoas detentoras de ativos financeiros superiores a US$1milhão encontrou uma média de doações de 1,8% para os homens.

E isto não é um fenômeno exclusivo dos EUA. No Reino Unido, as mulheres doam uma média de 0,8% de seus patrimônios, comparado com 0,5% para os homens, conforme mostra a pesquisa.

Sim, o encontrado confirma o estereótipo. Mas também tem grandes conseqüências para o futuro da filantropia.

Mais e mais mulheres estão conquistando suas próprias fortunas, o que as torna grandes doadoras por conta própria. E mesmo quando se trata do dinheiro do marido ou do pai, as mulheres freqüentemente tomam a dianteira na direção dos dólares de doações.

Não é só a percentagem que difere, mas também o método de doação. O relatório diz que as mulheres têm um maior senso cooperativo e ouvem uma variedade de opiniões antes de tomar uma decisão. Os homens geralmente decidem por conta própria.

Doadoras abastadas tendem a trabalhar em parcerias com instituições de caridade, ao contrário de impor condições para doar. Um enorme contraste com as tendências autoritárias masculinas de filantropia.

“O futuro da filantropia deverá se assentar no entendimento sobre como homens e mulheres poderão trabalhar em parceria”, diz Mattew Brady, diretor-gerente do Barclays Wealth para as Américas. “Ela vai se tornar muito mais cooperativa”.

Mas é claro que, na realidade, os homens ainda ganham e controlam a maior parte do dinheiro.

Então, você acredita que mulheres como Melinda Gates [na foto acima, com o marido, Bill Gates] mudarão a filantropia?

Written by Raul Marinho

14/07/2009 at 14:21

Riquistão – Cap.8: Filantropia performática

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Neste que é um dos melhores capítulos de Riquistão, o autor mostra dois aspectos distintos da filantropia praticada pelos riquistaneses dos EUA. De um lado, o fato de que grande parte do altruísmo estadunidense nada tem a ver com “fazer o bem sem esperar nada em troca”. Segundo o autor, grande parte das atividades filantrópicas dos EUA estaria ligada a alguma maneira de compensação (ex.: melhoria de imagem, vantagens fiscais, etc.), o que ele chama de “altruísmo competitivo”. No extremo oposto, o Robert Frank identifica um novo tipo de filantropo, que se comporta como um empreendedor capitalista agressivo, e o exemplo utilizado é o trabalho do alto-riquistanês Philip Berber – um sujeito que ficou multimilionário quando vendeu a CyBerCorp, sua empresa pontocom, no auge da bolha da internet, por US$450milhões, e fundou a Glimmer of Hope, sua super-ONG focada na ajuda à Etiópia, com uma doação inicial de US$100milhões. Na verdade, o autor procura fazer um balaceamento entre o lado podre da filantropia (ou pilantropia, de acordo com o neologismo local), e uma iniciativa interessante em termos de “altruísmo competitivo”: o “altruísmo corporativo de resultados”.

A maneira econômica de fazer brilhar a sua imagem

A idéia é simples: em termos de relações públicas, nada melhor que distribuir um sopão para os pobres. Não consigo pensar num exemplo melhor que o programa Bolsa Família do Brasil para ilustrar isso melhor, muito embora não seja uma iniciativa riquistanesa, já que efetivada pelo Estado. O fato é que (quase) toda atividade altruísta gera melhoria de imagem, e quando a imagem é muito valiosa, também deverá ser vultosa a contribuição doada. Bill Gates doou à caridade US$31bilhões em 2005, isso não é brincadeira. (Se bem que, no caso dele, também está embutido o problema da herança, que veremos a seguir – assim como também veremos por que não é bem assim). O fato é que o Bill Gates pode ter todos os defeitos, mas burro o cara não é: doar US$31bi para a caridade foi um baita negócio para ele e para a MicroSoft, uma vez que tanto ele quanto a empresa que ele fundou são entidades odiadas globalmente. Quanto vale, em dólares, uma mudança na percepção da MS pela opinião publica em, digamos, 25% para melhor?

O problema da herança

Muita gente, especialmente o pessoal da Billionaireville, está pensando o seguinte. “Será que eu seria um bilionário se meu pai me deixasse bilhões de herança? Talvez minha filha seja uma futura Paris Hilton… Melhor deixar a menina com menos dinheiro – digamos, US$300milhões”. O Frank diz que isso acontece, quem sou eu para duvidar, mas tenho minhas reservas quanto a esse tipo de comportamento. (Entretanto, é muito menos provável que um médio-riquistanês -digamos, um sujeito com um patrimônio de US$50milhões- tire um centavo da herança dos filhos. De qualquer maneira, informa o autor que uma pesquisa do Boston College’s Centre on Wealth and Philantropy (Centro [de pesquisas sobre] riqueza e filantropia da Faculdade de Boston) entre donos de fortunas superiores a US$30milhões aponta que 65% disseram preferir doar uma parte maior de sua fortuna enquanto estiverem vivos a deixá-la como herança.

A dança pelo dinheiro

Para quem acha que a sacanagem é exclusiva dos brasileiros: de acordo com um levantamento da McKinsey (a melhor consultoria dos EUA), em 2003 as ONGs americanas desperdiçaram US$100bilhões com levantamentos de fundos e despesas administrativas. Isso acontece, em grande medida, porque os doadores assim o fazem para ascender socialmente, para conquistar amigos, ou para promover interesses comerciais, e não têm nenhum interesse sobre como o dinheiro será realmente aplicado. É o que o Berber, fundador da CyBerCorp, chama de dançar pelo dinheiro ou filantropia de bem estar: “Alguém assina um cheque para a faculdade que freqüentou, depois de ter sido cortejado e paparicado, e, depois disso, sente-se bem. É a filantropia do ego social, com a qual você se torna prestigiado em seu meio. Você quer ser visto doando. Não há nada de humildade nisso; essas pessoas querem ficar em evidência e querem ver seu nome em tudo. A filantropia do ego social e do bem estar se resumem em responder a solicitações”.

O case Berber

Falando assim, friamente, parece que ganhar US$450milhões na bolha ponto.com dos anos 1999/2000 é brincadeira de criança. Mas não é, embora alguns tenham enriquecido mais por sorte do que por competência. E Berber foi um dos que merecia ganhar, pois foi o sujeito que inventou o e-brookerage, a compra e venda de ativos financeiros pela internet. Jovem (45 anos), hiperativo, nerd, atleta (maratonista), careca (tipo Marcelo Tas), “sua atividade é investir em mudanças sociais, o que exige resultados concretos e a busca pelo estilo eficiente das empresas ponto.com”, derrete-se o autor. Lógico que Berber tem oposição forte no mundo da filantropia (o pessoal das ONGs o acusa de ser tudo, menos de exemplo de filantropo), mas o fato é que o sujeito fundou uma entidade chamada Glimmer of Hope que está apresentando resultados expressivos no combate à pobreza na Etiópia. O mais interessante, entretanto, são os índices de eficiência da Glimmer – por exemplo: eles fornecem água a US$5,74/pessoa/ano e dão assistência médica a US$4,01/pessoa/ano, praticamente a metade do custo das grandes ONGs.

A receita do Berber é composta de 5 regras básicas:

1)Conhecer seu cliente: no caso da Glimmer, focada na Etiópia, o Berber praticamente se mudou para a África e realizou uma pesquisa etnográfica de campo espetacular, além de extensa pesquisa acadêmica.

2)Reduzir custos, eliminar intermediários: a Glimmer detesta ONGs intermediando recursos, e sempre que possível realiza as obras diretamente, com uma boa estrutura de fiscalização e controle.

2)Fazer os clientes se envolverem: nada mais que a tão manjada “sustentabilidade” (um conceito interessante, embora já muito desgastada pelo uso massivo na mídia).

3)Cobrar a responsabilidade das pessoas: quando a Glimmer financia um projeto, ela o faz por apensa um trimestre; se o beneficiário não apresenta resultados satisfatórios, o financiamento é cortado já no 2º trimestre.

4)Fazer os clientes se envolverem: a idéia é envolver os cidadãos no processo – “compramos os tijolos, eles constroem as paredes; compramos os canos, eles cavam as valas”.

5)Alavancar os dólares doados: um conceito empresarial que o Berber utilizou na sua empresa e adaptou para a Glimmer, que se envolve em projetos subsidiados por governos e outras ONGs, de modo a fazer render ao máximo os recursos da Glimmer.

Written by Raul Marinho

16/06/2009 at 17:12

A zelite e a herança

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herança ricos

Muito boa a reportagem abaixo, do Danny Wilcox Frazier para a Época Online. Pena que não haja menção à zelite nacional…

Milionários preferem dar dinheiro para caridade do que deixar para os filhos

Pesquisa mostra que 62% dos pesquisados com ativos de mais de US$ 800 mil planejam deixar seu dinheiro para organizações beneficentes para incentivar os filhos a trabalhar

O interesse crescente em filantropia entre os mais ricos do Reino Unido e dos Estados Unidos indica que a próxima geração de multi-milionários talvez não faça justiça ao título. Segundo uma pesquisa divulgada agora, muitos milionários – e até bilionários – pretendem deixar menos dinheiro como herança para seus filhos.

Pesquisa da Richard Harris, fundadores do serviço de testamento online, descobriu que 62% das pessoas com ativos estimados em mais de US$ 800 mil planejam gastar seu dinheiro com obras de caridade ou simplesmente doá-lo para as organizações.

Com isso, os milionários estariam seguindo os passos de ricos “do bem” como Bill Gates e Duncan Bannatyne, que decidiram doar a maior parte de suas fortunas para causas nobres a fim de iincentivar os filhos a iniciar uma carreira e pagar suas próprias contas.

Segundo o próprio Richard Harris, “filantropos ricos, principalmente empreendedores multi-milionários, são firmes em dizer que querem que seus filhos tenham um incentivo para trabalhar duro como eles fizeram em suas vidas. E uma forma de fazer isso é limitando suas heranças”.

“Os pais não querem tirar a ambição dos filhos”, diz. “Em vez de deixar suas fortunas para trás, eles estão repassando a maior parte do dinheiro para causas sociais que eles já defendem e nas quais acreditam. Eles estão colocando mais ênfase em deixar um legado que beneficie a sociedade.”

“Há uns dez anos, 75% da lista dos mais ricos do jornal Sunday Times eram compostos por gente que havia herdado dinheiro de família. Hoje, essa proporção é inversa”.

Tanto é verdade que a lista dos filantropos inclui nomes de prestígio do mundo dos negócios.

  • Duncan Bannatyne – Empreendedor que faz parte do programa de TV inglês “Dragon’s Den”, em que milionários dizem se vão ou não investir no negócio de novos empreendedores. Pai de seis filhos. Ele criou um fundo para beneficiar suas crianças, mas já avisou aos filhos que eles terão de demonstrar fibra moral suficiente antes de receber sua parte do quinhão.
  • Peter Jones – Empreendedor que também faz parte do programa “Dragon’s Den” já disse aos cinco filhos que eles terão de trabalhar, mas prometeu que um fundo vai dobrar sua renda a cada ano e se eles decidirem trabalhar com organizações de caridade (terceiro setor) ou assumirem um trabalho socialmente responsável, o fundo pagará três vezes seu salário anual.
  • Bill Gates – O fundador da Microsoft planeja doar a maior parte de sua fortuna antes de morrer, mas quer deixar US$ 10 milhões para cada um dos três filhos. O resto vai direto para obras de caridade nas quais está envolvido com a Fundação Bill e Melissa Gates. Ele é especialmente atraído para projetos de educação em países menos desenvolvidos.
  • Warren Buffet – O mega-investidor americano, segundo homem mais rico do mundo atrás somente do amigo Bill Gates, tem uma fortuna estimada em US$ 62 bilhões. Ele já declarou que vai deixar aos filhos “o suficiente para que eles possam fazer qualquer coisa, mas não tanto que não queiram fazer nada na vida”
  • Barron Hilton – O avô da patricinha Paris Hilton prometeu doar 97% da sua fortuna de US$ 2,3 bilhões para entidades beneficentes.

Written by Raul Marinho

24/05/2009 at 12:46

TWR – Os ricos se sentem culpados por doar dinheiro para caridade

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philanthropy

O post abaixo, originalmente publicado no TWR, trata da filatropia, tão comum entre os ricos dos EUA. Aqui no Brasil, a coisa é bem diferente: a zelite não tem a “cultura da doação”, especialmente para valores muito elevados – que o diga meu amigo Stephen Kanitz, o Dom Quixote da filantropia no Brasil.

Os ricos se sentem culpados por doar dinheiro para caridade

Comprar uma pasta de US$5mil é algo para se sentir culpado nos dias de hoje. Mas os ricos também estariam se sentindo culpados por doar dinheiro para a caridade?

Novas informações compiladas pela “Crônica da Filantropia” (um jornal do 3o setor dos EUA) mostra um aumento do número de doadores anônimos, talvez um recém adquirido desejo de ficar de fora do foco dos ricos.

Nos 10 meses passados, a porcentagem de doadores anônimos em doações de US$1milhão ou mais chegou a 19%. Em comparação, esse percentual ficava entre 3% e 5% na década passada. O “Crônica” aponta 80 doações avaliadas em US$1milhão ou mais efetuadas anonimamente entre junho de 2008 e abril de 2009.

Entre as doações, inclui-se o(s) “doador(es) misterioso(s)”, sobre o qual eu [Frank] escrevi no mês passado. Mas mesmo que você tire a doação de US$74,5milhões dela (e eu estou supondo que é uma mulher), a proporção de doações anônimas ainda seria de 16% – mais do que 3 vezes a regra.

O que faz com que a doação envergonhe alguém?

Estudos feitos pelo Centro de Filantropia de Indiana mostram que a maioria dos que doam anonimamente o fazem para evitar pedidos de outras instituições de caridade e para manter a doação secreta perante amigos e familiares que poderiam pedir-lhes dinheiro.

Robert F. Sharpe Jr., um consultor de arrecadação de fundos de Memphis, Tennessee, diz em seu artigo que os ricos não querem aparecer como ricos enquanto as outras pessoas sofrem com a recessão – mesmo quando isso vem da caridade. Ele diz que um filantropo achou que mostrar seu nome em uma doação vultosa durante tempos de crise poderia parecer “inadequado e socialmente inapropriado”.

Para mim [Frank], a vergonha da riqueza dispara o inapropriado. Banheiros de ouro em jumbos particulares é que são socialmente inapropriados. Doar para a comunidade não é. Se os ricos não podem se sentir bem ao doar para a caridade durante tempos de necessidade nacional, com o que eles poderiam se sentir bem então?

Sobre este tema, eu [Frank] estou mais inclinado em concordar com o Sandy Weill, que fez sua elevada doação conspícua, para servir de exemplo para os outros. Naquele momento, ele disse: “todos nós sentimos dor, mas todos nós sabemos que fazer mais num momento como esse é muito mais importante”.

Written by Raul Marinho

21/05/2009 at 15:30