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TWR – Os ricos se sentem culpados por doar dinheiro para caridade

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O post abaixo, originalmente publicado no TWR, trata da filatropia, tão comum entre os ricos dos EUA. Aqui no Brasil, a coisa é bem diferente: a zelite não tem a “cultura da doação”, especialmente para valores muito elevados – que o diga meu amigo Stephen Kanitz, o Dom Quixote da filantropia no Brasil.

Os ricos se sentem culpados por doar dinheiro para caridade

Comprar uma pasta de US$5mil é algo para se sentir culpado nos dias de hoje. Mas os ricos também estariam se sentindo culpados por doar dinheiro para a caridade?

Novas informações compiladas pela “Crônica da Filantropia” (um jornal do 3o setor dos EUA) mostra um aumento do número de doadores anônimos, talvez um recém adquirido desejo de ficar de fora do foco dos ricos.

Nos 10 meses passados, a porcentagem de doadores anônimos em doações de US$1milhão ou mais chegou a 19%. Em comparação, esse percentual ficava entre 3% e 5% na década passada. O “Crônica” aponta 80 doações avaliadas em US$1milhão ou mais efetuadas anonimamente entre junho de 2008 e abril de 2009.

Entre as doações, inclui-se o(s) “doador(es) misterioso(s)”, sobre o qual eu [Frank] escrevi no mês passado. Mas mesmo que você tire a doação de US$74,5milhões dela (e eu estou supondo que é uma mulher), a proporção de doações anônimas ainda seria de 16% – mais do que 3 vezes a regra.

O que faz com que a doação envergonhe alguém?

Estudos feitos pelo Centro de Filantropia de Indiana mostram que a maioria dos que doam anonimamente o fazem para evitar pedidos de outras instituições de caridade e para manter a doação secreta perante amigos e familiares que poderiam pedir-lhes dinheiro.

Robert F. Sharpe Jr., um consultor de arrecadação de fundos de Memphis, Tennessee, diz em seu artigo que os ricos não querem aparecer como ricos enquanto as outras pessoas sofrem com a recessão – mesmo quando isso vem da caridade. Ele diz que um filantropo achou que mostrar seu nome em uma doação vultosa durante tempos de crise poderia parecer “inadequado e socialmente inapropriado”.

Para mim [Frank], a vergonha da riqueza dispara o inapropriado. Banheiros de ouro em jumbos particulares é que são socialmente inapropriados. Doar para a comunidade não é. Se os ricos não podem se sentir bem ao doar para a caridade durante tempos de necessidade nacional, com o que eles poderiam se sentir bem então?

Sobre este tema, eu [Frank] estou mais inclinado em concordar com o Sandy Weill, que fez sua elevada doação conspícua, para servir de exemplo para os outros. Naquele momento, ele disse: “todos nós sentimos dor, mas todos nós sabemos que fazer mais num momento como esse é muito mais importante”.

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Written by Raul Marinho

21/05/2009 at 15:30